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[Game ON] Far Cry 2

Game on Post

Na seção GAME ON desse mês temos o jogo Far Cry 2, First Person Shooter lançado em outubro de 2008. Na história, você é um mercenário enviado para assassinar o principal fornecedor de armas das duas facções rivais (UFLL e APR), mas tem seus planos alterados ao chegar ao país, sendo infectado com malária e tendo todas as suas armas e documentos perdidos logo na chegada ao hotel. E assim, sua “nova” aventura começa.

Far Cry 2

[PRÓS]

  • Incrível quantidade de opções para se executar uma missão no estilo “sandbox”;
  • Arsenal variado e possibilidade de upgrades para armas, equipamentos e skills;
  • Jogo extenso, com mais de 30 horas de Gameplay;
  • Inteligência artificial notável;
  • Realismo retratado na natureza e suas respostas à efeitos naturais – fogo, chuva, vento – ou não naturais – tiros e explosões;
  • 50km² – É muito chão representando a paisagem africana.

[CONTRAS]

  • Repetição na variedade das missões;
  • 50km² – Dirigir por 50 km² depois de um tempo cansa;
  • A história que serve de pano de fundo é bem fraca e pouco desenvolvida.

[INTRO] – Logo na abertura do jogo você já tem uma noção da profundidade do jogo. Ambientado em algum país anônimo da África, toda a natureza apresenta interações com o jogador, e a sensação de imersão no game é altíssima.

Far Cry 2 - 1 Far Cry 2 - 2

Percebe-se algo logo de cara: mercenários tomam conta de tudo, não há polícia, poder público ou qualquer outro tipo de organização que tente manter a ordem na região. Eu até levei um tempo para me acostumar com a ordem “mexeu, atire” que o jogo impõe, mas você logo se habitua à essa regra. Até porque senão, você dança.

[GAMEPLAY] – No primeiro momento em que você toma o controle do seu mercenário, você já está sem seus documentos, suas armas, suas anotações e seu dinheiro, perdido em um hotel da região, com febre devido à malária, e no meio de um cerco de uma milícia contra a outra. E não, não existe outra saída a não ser capturado.

E então a sua jornada começa, e a única maneira de cumprir com os seus objetivos é infiltrando-se em uma das facções (ou nas duas), visto que ambas negociam com o seu “alvo”. No decorrer das missões você encontra lojas de armas, safehouses, maletas de diamantes, e vários checkpoints dos mercenários contendo munição, suprimentos médicos, explosivos e inflamáveis para repor o seu estoque. E ainda tem os “buddies”, que são outros mercenários em missões paralelas que você encontra pelo caminho, e podem te oferecer tanto ajuda nas horas de sufoco quanto alternativas na hora de completar as missões das facções. É uma pena que não haja um desenvolvimento na história dos seus parceiros mercenários, mas isso é fácil de saber o porquê… E eu não vou contar!

Outro ponto interessante do jogo é como quase todos os aspectos são baseados em troca de favores: quer comprar armas novas, diferentes? O dono da loja de armas terá uma missão para que o carregamento de uma loja rival seja destruído. A Malária está atacando? Leve os passaportes para os refugiados rebeldes e eles te entregarão novos comprimidos.

Aliás, a malária será uma constante preocupação no seu planejamento. Não sei se existe uma rotina para a doença atacar, mas você precisa ter noção de quantos comprimidos ainda tem antes de embarcar em mais uma missão. Como saber disso? Escute o barulho da caixa de comprimidos antes de tomar um deles. Sério, esse é o nível de realismo do jogo. No caso da malária atacar, a sua visão ficará amarelada, seus reflexos mais lentos, e caso não tome o seu remédio, você desmaia, sua missão falha, e você acorda no centro médico no distrito principal da cidade em que estiver.

E como se trata de uma paisagem extensa, existem vários tipos de veículos para a sua escolha: jipes, caminhões, swamp boats, quadriciclos, compactos e mini-buggys.. A maioria dos jipes vem com 1 dos 3 tipos de metralhadoras acoplados na caçamba, sendo uma Gattling Gun (a mais comum), ou uma .50, ou um lança-granadas de curto alcance. Durante as suas missões, você vai ter o seu veículo danificado, e você mesmo pode consertar. Na loja de armas você pode conseguir até alguns upgrades para consertar os carros mais rápidamente, e eles valem a pena obter.

Far Cry 2 - 5

Por volta de 50% das missões completadas, é hora de seguir para a segunda cidade, e as coisas ficam um pouco mais complexas: a mata fica mais cerrada, dificultando a sua visão contra os inimigos, aparentemente o nível das armas melhora, os tiros tiram mais sangue e aparecem mais milicianos por checkpoint.

Far Cry 2 - 4

[ANÁLISE] – Segue aí os aspectos do jogo separados um a um!

  • Gráficos: 10/10 – Gráficos Estonteantes, respostas à vários estímulos;
  • Jogabilidade: 7/10 – Pular pode ser uma súplica de vez em quando;
  • Som: 10/10 – Você pode ouvir tiros, carros e inimigos sem qualquer esforço;
  • Fator REPLAY: 8/10 – Só desanima por ser muito grande, mas ainda assim vale o replay.

[NOTA FINAL: 9] – Realmente é um jogo excepcional. Visualmente soberbo, desafiante, gradativo, leva ao pé da letra o nome “sandbox”, só não ganhou um 10 devido à repetição nos tipos de missão, e na canseira que dá ao jogador ao mandar ele percorrer dois pontos extremos no mapa só para matar um sujeito ou pegar uma caixa. Mas pela paisagem sobre o por do sol e a facilidade de andar por quase todos os locais, essas viagens podem até se tornar uma distração.

[Consoles] Dreamcast: 10 anos de lançamento, 8 de morte prematura…

Console Post

ilustracao_dreamcast

No dia 9 de setembro de 1999, a Sega Corporation Japão anunciava o lançamento do seu console mais revolucionário: o Sega Dreamcast. Embora já tivesse sido lançado no ano anterior no Japão, o novo console pretendia chamar a atenção do outro lado do planeta.

Considerado o sucessor espiritual do Sega Saturn e do Sega CD 32x, ele viria para tomar a liderança da Nintendo 64 e do Playstation Original, tendo sido considerado de sexta geração, e lançado quase 2 anos antes daqueles que viriam a ser seus concorrentes. Ou não, como a história mostrou. Playstation 2, Gamecube e Xbox só viriam ao mundo a partir de 2001, mas nem mesmo o Dreamcast estaria vivo para o combate.

Na ocasião de seu lançamento, a Sega havia apostado alto: seria o primeiro videogame totalmente voltado aos jogos online, com um modem de 56k; o seu memory card, ou Virtual Memory Unit, servia como uma espécie de minigame para vários jogos (por exemplo em Sonic Chaos, você criava as Criaturas do Chaos no melhor estilo tamagochi dentro desses VMUs); Foi um dos primeiros consoles a dedicar 128 bits de processamento exclusivamente para gráficos (o que foi bem refletido nos jogos, por sinal), entre outros detalhes.

A verdade é que qualquer videogame de tecnologia avançada com relação aos demais sofre com um tempo de aceitação maior, como a Sony já passou com o seu Playstation 2 e está passando com o Playstation 3, além da Microsoft ter passado por algo semelhante com o XBox original. Infelizmente para a Sega a situação era completamente diferente: o Sega CD, que era uma adaptação do Mega Drive para rodar jogos em CD’s não obteve o suceso esperado (e eu até me pergunto se obteve sucesso algum, visto a péssima qualidade dos games lançados); o Sega Saturn também não fez frente aos videogames da época (ele batia de frente com o Neo Geo CD e com o Playstation) devido ao péssimo desempenho da máquina, e o Dreamcast seria a salvação da lavoura. Só que para passar pelo tal “período de aceitação”, tanto dos jogadores quanto dos produtores, a Sega precisava de dinheiro em caixa. E infelizmente não tinha.

O Dreamcast foi abortado em Março de 2001 (e acreditem, eu lembro da notícia do “falecimento” do console até hoje), e a Sega decidiu se retirar dos negócios em hardware definitivamente.

Entretanto, mesmo com tão pouco tempo de vida, produziu alguns jogos que realmente eram notáveis. A seguir, segue uma lista pessoal dos 5 maiores jogos no console, que mesmo com uma vida útil tão curta, marcou a vida de muita gente…

Skies of arcadia

5º) Skies of Arcadia –  Em poucas palavras: piratas, online, customização, piratas, navios voadores, RPG, piratas. Enough said.

Shenmue

4º) Shenmue – Um dos únicos games com o conceito de imersão total aplicado, o que fazia o jogador passar por tudo, até tarefas rotineiras, até viajar longas distâncias para encontrar determinadas pessoas, ou objetos. Foi também um dos primeiros games a usar o Real Time Response, com botões na tela para o jogador acertar (semelhante a God of War hoje).

Soul Calibur

3º) Soul Calibur – Dispensa apresentações: visual perfeito, técnicas de luta fielmente representadas, uso interessante de armas de combate, roteiro e história. Apresentou um dos primeiros movimentos de esquiva lateral com perfeita aplicação e facilidade de execução, que viria a ser utilizado em quase todos os jogos 3D posteriormente.

Sonic Adventures 2

2º) Sonic Adventres 2 – A dose certa de Sonic, Knucles, Shadow e SENSO DE VELOCIDADE! Nada do cenário sair borrado quando você mal apertava o direcional. Uma história até interessante, mas era Sonic ainda como a gente gostava, mesmo em 3D.

Marvel x Capcom: Clash of Superheroes

1º) Marvel x Capcom – A primeira vez que um jogo de console caseiro conseguia ser mais bonito e mais rápido que um arcade. Mesmo tendo saído pro PSX, só no DC você podia trocar de jogador no meio da luta. Além de todos os combos serem possível nesta versão. E todos os personagens presentes, inclusive assistentes. Ou seja, o jogo do arcade, melhorado, completo e divertido.

(Aliás, vários jogos de luta poderiam entrar nesse primeiro lugar: Power Stone, MvsC 2, Soul Calibur, KOF, etc.)

Como um ex-dono de Master System e Mega Drive, a Sega anunciar o falecimento do Dreamcast e sua consequente retirada dos negócios de hardware foi triste. Mesmo não tendo comprado um, a minha filosofia é de que quanto mais opções tivermos, maior o esforço das produtoras em agradar. E a retirada de um gigante do campo ia marcar a vida dos gamers pra sempre.

Abraços!

*Este texto foi publicado originalmente no Nerdrops.com.br neste link