[Epic Fail] Duke Nukem Forever

Post_Epic Fail

Dnf_capaInfelizmente, esse jogo já se tornou uma das maiores lendas de todos os anos de games, para desespero de muitos jogadores. Duke Nukem Forever era pra ter sido lançado há mais de 10 anos, para seguir com o sucesso de Duke Nukem 3D, mas nunca chegou às prateleiras devido aos problemas enfrentados pela produtora 3D Realms. No texto abaixo traduzido livremente do site Wired podemos perceber que erros da administração da empresa atrasaram, dificultaram e eventualmente cancelaram um projeto que ainda povoa a cabeça de vários gamers.

A 3D Realms havia criado o seu personagem Duke Nukem para o jogo original de 1991, mas características machistas e sarcásticas ficaram mais evidentes no seu debut de 1996, Duke Nukem 3D. No jogo, em vários momentos Duke Nukem faz piadinhas sobre os aliens e suas caras feias, além de maltratar os cadáveres dos inimigos abatidos (como arrancar a cabeça de um deles ao chutar ao gol do futebol americano), e foram exatamente estas características que agradaram aos fãs do jogo. Assim, desde o final de DN3D haviam expectativas pelo próximo jogo, e a 3D Realms sabia que precisava se superar. E talvez tenha sido aí que tudo começou a vir abaixo.

Mas porque Duke Nukem Forever teve seu triste destino? Simples: ambição desmedida e falta de desapego ao desenvolvimento.

Duke está pronto, mas seu jogo não...

Duke está pronto, mas seu jogo não…

Segundo a reportagem da Wired, os diretores de criação do jogo queriam fazer o melhor e mais perfeito game, e por isso a cada nova engine lançada no mercado, o trabalho praticamente recomeçava do zero. Foi assim quando a engine de Quake II foi lançada. Perto da tecnologia desenvolvida pela rival id Software, os gráficos gerados pela engine nativa da 3D Realms pareciam simples caixas de papelão pintadas. Além disso, a nova engine Quake II permitia um maior número de inimigos , maior quantidade de detalhes e maior número de objetos interativos ao mesmo tempo na tela, sendo infinitamente superior à engine da casa (chamada “Blur“). Processo semelhante se deu quando houve o lançamento da nova engine Unreal, e depois com o sistema de física Havok. A cada lançamento novo, o que era novíssimo e espetacular no desenvolvimento seria considerado antiquado quando fosse lançado. E um dos principais diretores da companhia, o co-fundador George Broussard, parecia insatisfeito a cada versão sem nunca atingir o alvo que só existia na cabeça dele. Se querem alguém pra culpar o fracasso de Duke Nukem Forever, está aí o seu suspeito. Broussard não queria que o jogo fosse simplesmente ótimo, queria que ele usasse toda a tecnologia disponível para criar o jogo perfeito, e sendo assim ignorou os avanços que as tecnologias de jogos e ambientes virtuais sofrem em questão de meses. Para ele, o game nunca estava no ponto ideal.

Uma das raras imagens de Duke Nukem Forever, ainda em 1999

Uma das raras imagens de Duke Nukem Forever, ainda em 1999

É verdade que material suficiente para uma apresentação do nível da E3 foi criado, e tal apresentação apareceu no conveção de 1998 junto com promessas de que o jogo sairia no final daquele ano, em tempo para ser seu presente de Natal. Mas como a história contou, não foi naquele, nem em nenhum outro Natal que tivemos o game para jogar. Já em 1999 nada foi mencionado sobre o game, e a aparição seguinte seria somente em forma de vídeo em março de 2001, inclusive com o site da empresa mostrando os dizeres “No, this is not a sick joke!” (“Não, isso não é nenhuma piada doentia”). Em 2003, a Take-Two, nessa época já famosa pela sua participação na série Gran Theft Auto, entrou no contrato para distribuir o jogo (ao comprar a empresa que cuidava da distribuição na época, a GT Interactive), mas avisou que devido à situação da empresa desenvolvedora, o jogo não sairia naquele ano. O último suspiro de esperança se deu em dezembro de 2008, quando a 3D Realms lançou um wallpaper de DNF , e voltou a falar em data de estréia. Data essa que nunca existiu.

Wallpaper divulgado em 2008.

Wallpaper divulgado em 2008.

Muitas suspeitas chegaram a recair sobre dificuldades financeiras, mas isso não é verdade. A 3D Realms ainda colhia bons frutos das vendas de Duke Nukem 3D, e a participação das distribuidoras era mais com relação às despesas de divulgação do jogo, ao invés do desenvolvimento. Numa analogia simples, se fossem uma banda de rock, eles teriam dinheiro para gravar seus álbuns, mas não teriam dinheiro para sair numa turnê mundial. Aí entraria a grana da distribuidora. A ruína financeira somente se deu perto de 2007, quando Broussard (finalmente) sentiu a pressão dos fãs de Duke Nukem e decidiu terminar o jogo. Dobrou a quantidade de empregados na empresa, alinhou todas as idéias no desenvolvimento, mas não abandonou totalmente o fanatismo pelo jogo perfeito. Durante quase dois anos, essa equipe consumia quase 2 milhões de dólares por ano, e aí o dinheiro acabou. Em janeiro de 2009, Broussard foi até a sede da Take-Two com o jogo semi-finalizado, para mostrar aos executivos, mas também para pedir mais 6 milhões para poder terminar e enviar o jogo para produção em massa. Infelizmente não houve acordo, sendo que a Take -Two já havia gasto perto de 10 milhões no desenvolvimento e ofereceu somente 2,5 milhões na ocasião, com mais 2,5 milhões logo após o lançamento do jogo. Com o impasse da reunião, Broussard sabia que era chegada a hora de dizer adeus. Duke Nukem Forever está agora no limbo das produções de games, e seu futuro é incerto.

Equipe da 3D Realms, no dia do fechamento da empresa.

Equipe da 3D Realms, no dia do fechamento da empresa. Broussard é o de azul, sentado no centro.

Então, em 6 de maio de 2009, após mais de 12 anos de desenvolvimento, sem nenhuma expectativa de lançamento, nem informações sólidas de trabalho sendo desenvolvido, ou uma dose de certeza nas suas afirmações, a 3D Realms fechou as portas definitivamente, e ainda foi processada pela distribuidora sobre os prejuízos de divulgação nos mais de 5 anos de contrato entre as empresas. Ainda de acordo com a reportagem, nesses mais de 10 anos de desenvolvimento,  em vários momentos não parecia haver um plano sobre como seria DNF, nenhuma história concreta, nenhuma arma finalizada, nenhum “level” real para ambientar o jogo. Alguns ex-desenvolvedores apontam que tudo não passava de um apanhado de vídeos técnicos, de forma caótica e sem qualquer sentido entre eles, até porque a cada avanço tecnologico, tudo era jogado fora e recomeçado do zero. A dose mais real de DNF que teríamos seria o CD mostrado à Take-Two, mas ninguém conhece o paradeiro dele hoje, nem ao menos o que havia naquelas informações. Seriam fases, ou quem sabe um demo jogável?

Deste episódio todo, algumas perguntas óbvias ficam no ar:

  1. Será que Duke Nukem Forever será lançado eventualmente? Segundo analistas de mercado de games, as coisas ficaram muito complicadas para a marca Duke Nukem, principalmente depois do processo ocorrido após a falência da produtora. Pode ocorrer algum tipo de acordo em que o nome seja usado, mas Duke Nukem Forever como nós (pouco) vimos até hoje dificilmente será levado adiante. A 3D Realms ainda possui o nome, e a Take-Two os direitos de distribuição. Somente se alguém tentar acordo com ambas haja uma chance de termos o jogo finalizado. Mas quem terá a coragem de mexer com um dos mais aguardados games de todos os tempos?
  2. É possível um acerto de contas entre a 3D Realms e a Take-Two para finalizar o game e manter a sua essência? A disputa jurídica entre as empresas promete ser demorada, até porque depois do processo da Take-Two, a 3D Relams apelou em recurso, apresentando um contra-processo, alegando que DNF nunca teve uma data de lançamento marcada, por isso o processo original é invalido. A Take-Two alega que teve restrições ao lucro ao investir mais de 3 milhões somente em divulgação, e por isso deve ser ressarcida. Outra corrente de pensamento de alguns analistas jurídicos é a aposta de que a distribuidora está procurando obter os controles da propriedade intelectual, para poder voltar com o desenvolvimento do jogo com uma nova equipe de programadores, e posteriormente lançá-lo. Porém, mesmo que isso seja verdade, quanto tempo levará até resolver essa questão? Até porque, caso se leve tempo demais, todo o trabalho será muito obsoleto, e para um novo DNF será necessário desenvolver tudo do zero, pela enésima vez. E caso a Take Two consiga a licença intelectual e resolva lançar um jogo qualquer só para recuperar seus prejuízos, como poderemos ter a certeza de que se trata do jogo que esperamos por mais de 10 anos?

500x_dukeSerá que a espera termina eventualmente?

Na minha opinião, eu gostaria muito que a questão se resolvesse bem rápido, pois ainda lembro com saudades do tempo em que Duke Nukem e Doom rivalizavam pela preferência dos fãs de FPS. E depois de tudo o que vimos até hoje, a mística envolvendo nome Duke Nukem Forever já é motivo suficiente para justificar o seu lançamento. Existem várias petições pedindo o lançamento do jogo, mas depois dessa reportagem, minhas esperanças acabaram de vez. É claro que ainda espero que alguém tome parte dessa disputa e lance o jogo (*cofVALVEcof*), pois embora só tive acesso à algumas screenshots do desenvolvimento, é o saudosismo com relação ao Duke Nukem 3D que me motiva a esperar o tempo que for por Forever. E caso seja lançado, faço outro review, retirando a etiqueta de Epic Fail com muito gosto aqui no Dia de Gamer!

5 thoughts on “[Epic Fail] Duke Nukem Forever

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  2. Guizaum

    Puxa vida, ele nem foi citado aqui, mas eu gostava tanto de Duke Nuken Time to Kill!

    Caralho, esse cara da 3D Realms é um cabaço mesmo né. Sabe o que eu acho que é, falta de peso no roteiro, então ele quer investir em gráficos e jogabilidade.
    Porra qual o problema da Unreal Engine? Caralho, Batman ficou animal, claro que se o jogo for em primeira pessoa deve precisar de uma outra engine, mas como eu não manjo muito dessa parada de engine, to falando o que eu acho, meio leigo na parada!

    1 up pra vc!

  3. andrekratoz

    o que eu acho é que alguem levou muita grana com esse peic fail, muito estranho o kra ficar querendo a ultima tecnologia e nunca lançar a parada. eu acho que o sucesso do jogo subiu a cabeça do kra. Espero que esse impasse se resolva rapido e que a (cof VALVEcof) pegue e faça uma oibra prima com esse titulo. Mas ainda acho que alguem foi estremamente burro.

    Abraços kra e parabens pelo blog e pelo post.

    1. Guilherme Costa Post author

      Acredito que foi uma "loucura" achar que só por usar a engine mais atual o game seria mais próximo do ideal. Quantos jogos nós temos por aí que são baseados em outros aspectos que não os gráficos e mesmo assim são sublimes?

      Bola fora da 3D Realms, que acabou falida e deixou os gamers na mão quanto à Duke Nukem Forever.

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