[Classics] O que aconteceu com a série Need for Speed?

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Se você gosta de jogos de corrida, você com certeza já jogou (ou ouviu falar) da série Need for Speed (NfS), da fabricante EA Games. Pra quem é novato, essa série, ao lado de Test Drive, era uma das boas opções de jogos de corrida de rua, antes mesmo da febre “Velozes e Furiosos” tomar conta. Carros velozes, disputas acirradas, circuito ou street, esse jogo deixava os jogadores malucos seja nos arcades, nos PCs ou nos consoles. Cada jogo se diferenciava por uma característica diferente, seja a possibilidade de ter danos aos carros, ou uma física mais real, ou a habilidade de trocar as partes do carro (body custom).

A série começou no extinto 3DO, um das primeiras plataformas a se aventurar no mundo 3D, além de rodar discos ao invés dos tradicionais cartuchos; já na 1ª versão o cuidado com o realismo dos carros foi levado em consideração, embora a capacidade gráfica dos consoles da época não tinha muitopotencial. Mesmo assim eram estonteantes. As primeiras versões do jogo foram evoluindo continuamente, como a inclusão de corridas Knockout no 2º game (onde o último colocado de cada volta era eliminado), e a possibilidade de usar atalhos nas corridas, devido aos circuitos mais abertos desta versão.

NfS High Stakes Need for Speed III: Hot Pursuit foi um dos primeiros a dar foco nas perseguições policiais, embora os carros da polícia já estavam disponíveis nos jogos anteriores. Desta vez, você poderia inverter a situação e perseguir os bandidos, ao invés de só usar os carros da polícia para ganhar a corrida. Need for Speed IV: High Stakes apresentou uma opção interessante – você apostava os seus carros contra um oponente, e o perdedor entregava o seu carro para o ganhador. Sim, ele era apagado do seu Memory Stick e copiado para o seu rival. Isso elevava a disputa para níveis críticos, pois ninguém queria perder seus carros favoritos. Na minha opinião, foi um dos melhores NfS já lançados, devido ao nível dos gráficos, da quantidade de carros, das pistas e das opções de configuração de corrida (você poderia espelhar uma pista e correr nela de uma outra maneira), e uma melhora considerável na inteligência artificial dos oponentes virtuais.

NfS Porsche Unleashed foi o primeiro (e até hoje único) game da série a tratar exclusivamente de uma marca específica. Para isso, a física de cada carro foi detalhada ao extremo, fazendo com que esta versão fosse a mais técnica de todas. Pra mim, a série perdeu o foco ao lançar esse título, pois a diversão de NfS muitas vezes se baseava nas manobras em estilo arcade, e esse acabou sendo um dos games em rotação mais baixa. Tinha um lado interessante de contar a história da montadora e da marca, mas isso não era suficiente para manter o ânimo do jogo.

NfS Hot Pursuit 2Com a chegada da nova geração de consoles, era hora da EA Games dar um upgrade na série, e a primeira versão dessa nova fase veio com Need for Speed Hot Pursuit II, onde novamente o foco era a perseguição policial com intuito de acabar com a corrida. O jogo apresentou gráficos bem detalhados, bastante superiores às versões anteriores, e também deixou os policiais mais inteligentes. Eles “aprendiam” o seu estilo de direção, e armavam espinhos onde você costumava passar com mais frequência. Outra característica marcante, essa foi a primeira versão em que a visão do motorista foi retirada. Não era possível usar o modo de visão com o volante e o painel do carro, câmera presente desde NfS II. Marcou o fim do “real-driving” e a adoção total do Arcade mode.

Até esta versão, nenhum dos games tinha a opção de customizar o carro, no máximo havia uma opção em cores. Mas a moda dos Tunned Cars já tinha tomado toda a sociedade de assalto, e a EA Games trouxe isso para a série.

NfS: Underground tinha essa opção: mudar a cor do carro, aplicar neon, aplicar texturas, adesivos, trocar peças por outras mais aerodinâmicas, rodas, tipos de pneus, pinturas customizáveis, cores de farol… Eram muitas opções, e carros líndíssimos poderiam ser feitos em poucos minutos. Foi a grande mudança para a série, que passou a adotar essas opções nos jogos seguintes, e até este jogo o equilíbrio entre jogabilidade e tunning estava ok.

Até que NfS: Underground II foi lançado.

NfS Underground 2

NfS: U2 triplicou a quantidade de opções de tunning, tanto física quanto mecanicamente, sendo que você poderia ajustar o seu carro de acordo com o tipo de corrida que ia enfrentar. O problema começou em um determinado ponto em que para conseguir mais pontos do que seus adversários, era necessário ter 5 camadas de adesivos, 4 de transfers, 1 neon intermitente, duas cores no jogo de pneus, outra nas rodas, um aerofólio metálico destoando do resto do carro, e uma bandeira do seu país amarrada na antena do rádio. Ok, essa última parte eu inventei.
O equilíbrio da força entre tunning e técnica estava comprometido. Antes ganhava o carro mais rápido, agora ganha o carro alegórico mais rápido. Eu lembro de quantas vezes joguei corridas do tipo Drift, ou outras baseadas em pontuação, e sempre no quesito “Alegorias & Adereços” eu não completavam os pontos suficientes para impedir os outros oponentes de me vencer, mesmo eu tendo 30 ou 40% a mais de pontos na categoria principal (drifting, por exemplo). Pra mim foi o fim da franquia, ou o fim do meu envolvimento com ela até que os valores mudassem.

NfS Most Wanted 2

E então saiu NfS Most Wanted. A minha animação retornou devido ao fato de que o jogo era de dia! Sendo assim, as cores possivelmente não seriam quesitos fundamentais para se ganhar uma corrida, e como acabei comprovando, eu tava certo. Para minha grata surpresa, uma outra mudança estava presente no jogo, que chegou a dar um fio de esperança sobre o futuro da série: as perseguições policiais durante e depois das corridas, além da possibilidade de herdar os carros dos seus oponentes numa “roleta-russa”. Até tinha uma historinha interessante, envolvendo uma policial infiltrada que se apaixona pelo seu personagem, o que permite que ocorra a perseguição policial final que dá o tom do encerramento do jogo.
Ao lado de NfS High Stakes, Most Wanted representou um dos melhores games da série. E continua sendo até hoje!

NfS CarbonDepois disso tivemos em sequência Carbon, Pro Street, Undercover e Shift, mas só cheguei a jogar o Carbon. A sensação de deja vù com relação ao NfS:U2 era grande, e o jogo não empolgou. Assim como não empolgaram os demos das versões seguintes.

NfS ProStreetSe um ponto pode ser observado por essa experiência, é o seguinte: nós queremos Arcade Driving! Os jogos que menos empolgaram foram exatamente aqueles que mais limitavam a diversão para valorizar a técnica de direção, como o Porsche Unleashed e o Pro Street (que é por sinal considerado como sendo um dos mais baixos índices de popularidade devido ao seu realismo), enquanto que a série Burnout, que representa um dos melhores games de Arcade Driving atual já ultrapassou a série NfS na preferência da EA Games. Tanto que uma das novas versões de Need for Speed está sendo criada pela Criterion Games, produtora responsável por Burnout 1, 2, 3, Takedown, e agora Burnout Paradise.

Não que se tenha que deixar o realismo de lado, mas pelo contrário, deve-se saber aplicar o realismo no lugar certo, e o melhor exemplo vem do próprio Burnout. Nenhum jogo de corrida aplica tanto realismo nas colisões quanto Burnout Paradise. Chega a ser considerado um evento à parte dentro do jogo devido ao tratamento dado às batidas: a câmera foca na colisão, o tempo entra em slow motion, e pedaços voam para todos os lados… Além de ser realista, é uma outra diversão imerso na corrida. Deixa de ser um “ah, que merd*, bati!” para ser um “olha que show a batida!”.

Sinceramente espero que a série Need for Speed reencontre o seu rumo. É uma das poucas franquias que atravessaram gerações de consoles, e tem sim como retornar à sua diversão original. E a resposta está dentro da própria EA Games. Só falta querer olhar.

6 thoughts on “[Classics] O que aconteceu com a série Need for Speed?

  1. diadegamer

    O Shift foi uma das apostas da EA Games para se aproximar de Gran Turismo, ou seja, a sua direção é mais real do que arcade. Teve uma recepção até favorável, com notas 9 pela IGN e XBox Official Magazine e 8.3 na Metacritic.
    Pessoalmente não joguei o jogo, tava ocupado com Burnout Paradise!

  2. Nelson

    Estou Baixando os demos na PSN, assim q conferir, vou postar alguns coment´s sobre o jogo.

    Abraços

  3. ROD Rules

    Cara, o SHIFT é o ressurgimento da série, que estava em baixa.

    O jogo é equlibrado, pode jogar bem no estilo arcade (com a ajuda dos assistentes) ou como simulação (sem assistente nenhum), só que vai exigir habilidade sua pra vencer as corridas.

    os gráficos são animais….principalmente o visão do cockpit, PERFEITA! o novo Forza fez esta visão também, mas o do SHIFT ficou mil vezes melhor.

    Sem contar no modo carreira…o jogo é VICIANTE!

    Vale a pena.

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