[Tweet Post] Dia de Gamer na Rio Game Show

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Nos dias 28 e 29 de novembro, rolou no Rio de Janeiro a 2ª edição do Rio Game Show, que reuniu vários especialistas sobre o desenvolvimento de games aqui no Brasil, além de contar com várias atrações para os gamers no pavilhão de exposições Sul América, na Av. Presidente Vargas, centro do Rio.

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Dia de Gamer compareceu ao evento, mas devido à um problema com o cadastro de imprensa do Blog, tivemos que acompanhar o evento junto com os gamers, que se amontoavam disputando cada milímetro possível para ver os jogos, as novidades e as exposições da RGS. O evento reuniu em um só local várias tribos diferentes, mas com gosto muito similares: os gamers de todos os tipos, sejam jogadores de MMORPGs, fãs de Guitar Hero e Rock Band, amantes de jogos de luta (como Street Fighter IV e King of Fighters 2002), ou saudosistas dos consoles antigos, se encontraram com a galera dos animes, os entusiastas das novas tecnologias da computação gráfica para games e com os curiosos em geral.

Konami Estande

Infelizmente, o evento foi muito aquém do esperado. Na verdade, salvo algumas seções, não houve um evento em si, mas sim várias consoles ligados às tevês para que os gamers jogassem, com exceção das palestras e a exposição “A História dos Videogames”. E ainda assim, haviam falhas. Uma das melhores seções, foi sem dúvidas a NVIDIA, uma das patrocinadoras do evento, que trouxe várias máquinas potentes, equipadas com uma placa de vídeo que permite a visualização de jogos em ambientes tridimensionais, com o auxílio de óculos de lentes polarizadas.

NVIDIA

Não vou ficar perdendo muito o meu tempo criticando a feira, até porque dificilmente alguma coisa será mudada para as próximas edições, visto que tudo é baseado numa pré-conceitualização de que videogames no Brasil se resumem a poucos jogos, especialmente futebol.

Guitar Hero

Vou dar um exemplo: a Konami estava presente ao evento OFICIALMENTE. Poderia ser um motivo de felicidade, porque pela primeira vez uma grande produtora estaria presente num evento brasileiro, mas na minha opinião, ela não veio. No máximo mandou um tchauzinho de longe. Com os lançamentos de Metal Gear Solid: Rising, Metal Gear Solid: Peace Walker, e do novo Castlevania (dentre vários outros que posso citar), poderíamos esperar que algumas informações (mesmo que repetidas da E3) fossem mostradas, mas ao invés disso, o estande da Konami se resumia a 5 consoles ligados rodando em sua maioria Pro Evolution Soccer 2010. Nem um poster, nem um panfleto, nenhum vídeo, nada a respeito das demais produções da empresa estavam disponibilizados. A sensação que tive era de que a visão do mercado brasileiro se resume à futebol, sendo que nas últimas competições de games internacionais as equipes brasileiras tiveram excelentes posições, e em vários jogos.

WERio Campeonato

Isso sem levar em conta que também havia no evento um campeonato oficial de Pró Evolution Soccer, organizado pela WERio, que a Konami ao invés de somar esforços e ajudar na distribuição de brindes aos ganhadores, simplesmente ignorou e preferiu levar seus jogos e disputar audiência com a competição. Eu conversei com um dos organizadores do campeonato, e nem eles sabiam que a Konami teria os seus próprios jogos disponíveis para os visitantes, e isso afetou a participação voluntária da competição. Falha grave da organização.

Master System 2

E até nos pontos positivos, várias ressalvas podem ser feitas. Eu visitei a exposição “A História dos Videogames”, que foi bem interessante, pois pude ver como eram os modelos dos antigos Nintendo Game & Watch, minigames de sucesso antes da Big N entrar de sola no mercado de videogames com o Nintendo 8-bits. Além disso, vários outros aparelhos estavam presentes, como um modelo de Telejogo, um 3DO, e uma edição especial do Atari, com vários jogos na memória do console. Todos funcionando e disponíveis para jogar! Um momento especial para mim foi reencontrar um Master System 2, um dos meus consoles por mais de 5 anos, rodando seus jogos da memória, também nesta exposição. Mas passada toda a emoção de reencontrar os consoles ou conhecer alguns outros em pleno funcionamento, algumas melhorias poderia ter sido feitas. Como por exemplo, um pequeno texto falando sobre a história, data de criação do aparelho, jogos mais populares, nada disso tinha, e não são informações difíceis de conseguir. A exposição simplesmente colocava os consoles ligados à teve, você tinha como jogar um jogo, e era só isso. Toda a “História” dos videogames deve ter ficado em algum outro lugar, porque na exposição não estava.

Game&Watch

As palestras realmente foram um ponto positivo interessante no evento, porque abriram um espaço para os debates mais profundos sobre a situação do pais, seja como mercado consumidor de games em expansão, observando que a Sony acaba de desembarcar por aqui, e como produtora de games e animações, como já é reconhecido no exterior. A maioria das opiniões converge ao mesmo ponto, será um passo de cada vez, e o interesse e a formação de jovens vem de encontro à esse objetivo.

É claro que não existe muito mercado para que tenhamos uma exposição do nível da E3, e realmente, estamos bem longe disso. Mas ao anunciar uma feira de videogames, é preciso pensar sobre o que os gamers querem ver. Pagar o ingresso para ficar disputando filas e tentar jogar alguns jogos mais novos não se resumem à uma feira. As palestras realmente foram bem interessantes, e pudemos saber a respeito da trajetória de alguns desenvolvedores que podem brilhar num futuro de games, seja em qual plataforma, empresa ou sistema for. Mas mesmo assim, a sensação de desapontamento não pode ser evitada.

Estande Seven2

E apesar do desapontamento, gostaria de dizer que torço para que uma próxima edição ocorra. Como disse, ainda estamos engatinhando no questão do comportamento perante os games, que aqui nas terras nacionais ainda é visto como brinquedo de criança, enquanto que é respeitado no exterior como uma das indústrias de entretenimento mais lucrativas da era moderna, superior ao cinema e à música em vários aspectos. Ouvindo o que os gamers querem, e tratando os jogadores com respeito, a feira tem tudo para dar certo. E Dia de Gamer vai estar lá para conferir!

*O restante das fotos pode ser encontrado no album virtual aqui!