[Game ON] God of War 3 – Review

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Matéria Originalmente publicada no Jovem Nerd! Parceria Dia de Gamer & Jovem Nerd

A série God of War foi um dos últimos grandes lançamentos do Playstation 2, e que deixou vários fãs ansiosos pelo desfecho da batalha entre Kratos, o espartano que virou o Deus da Guerra, e Zeus, Senhor Supremo do Olimpo. A nova geração de consoles já chegou e se estabeleceu , e já estava mais do que na hora de termos um fim à esta história da Mitologia Grega. Havia muita expectativa a respeito deste jogo, apontado por muitos como o jogo mais aguardado do Playstation 3, e certo de disputar os títulos de Melhor jogo do Ano segundo a imprensa especializada. God of War 3 foi lançado no dia 16 de março, após demonstrações na E3 2009, demos na PSN e uma intensa estratégia de marketing que colocava o game como a “definição de arte interativa que os consoles atuais podem fazer”. Será que GoW3 viveu aquém dos olhares dos donos de PS3, gamers em geral e imprensa? O que GoW3 pode trazer para os fãs da série agora, nos consoles da nova geração que ainda atraia a curiosidade sobre esta trilogia? Qual foi o desfecho da luta entre Zeus e Kratos?

God of War 3

God of War 3: Épico ou Hype?

CRASH COURSE: God of War in a Nutshell – God of War foi uma franquia que fez seu nome praticamente sozinha. Criado para o Playstation 2 no ano de 2005, era mais um dos games do gênero Hack ‘n’ Slash que vinha disputar a atenção dos jogadores, e que no fim das contas se sobressaiu. Seja por sua jogabilidade direta, seja pela violência a qual Kratos aplicava aos seus desafetos, seja pelo carisma do personagem “bad-boy” principal, ou por qualquer outro motivo, God of War cresceu no conceito da Sony, que rapidamente transformou um game numa trilogia, e deu autonomia ao pequeno estúdio em Santa Mônica para criar uma história envolvente e profunda, baseada na mitologia grega e seu filho bastardo, e sua busca por vingança. Kratos, um guerreiro escolhido pelos deuses para ser seu servo na Terra, enfrenta multidões de inimigos, executa suas tarefas com violência e precisão, é o favorito do Deus da Guerra Ares, mas é envolvido numa trama de traição, morte e vingança. Por uma armadilha de Ares, que queria ver Kratos livre e sem nenhum impedimento familiar, o espartano acaba por assassinar a sua família, e a partir daí jura vingança contra seu antigo Mestre. Ao optar por interferir numa guerra dos homens, Ares provoca a fúria dos deuses, e Athena pede a Kratos que impeça Ares em troca do perdão pelos seus atos passados.  Mesmo após percorrer os recantos mais inóspitos da Terra em busca da Caixa de Pandora, (que daria à Kratos poder de matar um Deus), descer ao inferno e retornar para o confronto com Ares, Kratos não consegue se livrar dos pesadelos que povoam sua cabeça, com lembranças da morte de sua família por suas mãos. Decide então terminar com sua vida, mas é salvo por Athena, que oferece a ele um lugar no Olimpo, se tornando assim o novo Deus da Guerra.

Lançado em 2007, God of War 2 mostrou os eventos ocorridos alguns anos após o final do seu antecessor, e a crescente insatisfação de Kratos com sua atual condição no Olimpo. Mesmo sendo condecorado como o novo Deus da Guerra, ele é tratado como desprezo pelos demais deuses, sem as honrarias nem prestígio, e resolve ignorar as leis do Olimpo. Assim, mesmo com os avisos de Athena, passa a interferir diretamente em batalhas na Grécia e em Sparta, quebrando o preceito imposto por Zeus, de deixar os humanos seguirem sua própria trilha. É punido por Zeus, que retira seus poderes e ainda tenta matar Kratos, e salvo das garras da morte por Gaia, um dos Titãs, que ainda busca vingança contra os Deuses pela derrota na guerra que aprisionou sua raça e deu a Zeus e seus irmãos os lugares no Olimpo. Kratos procura então as Irmãs do Destino, guiado por Gaia, para poder voltar no tempo e impedir sua morte nas mãos de Zeus, e assim ter sua vingança. God of War 2 criou na cabeça dos gamers a rivalidade que Zeus e Kratos tinham, deram a chance de batalhar sem que nenhum dos lados ganhe, e armou o espetáculo para que a trilogia se encerrasse em grande estilo.

E assim chegamos ao estágio inicial de God of War 3: Kratos, Gaia e os Titãs estão escalando o Monte Olimpo, enquanto que Zeus, Poseidon e os demais deuses se preparam para o confronto.

God of War 3_Tela Inicial

Alta definição até nos detalhes…

A história do jogo é simples e direta – Kratos quer matar Zeus -, poucos subplots estão presentes na trama, mas como tudo isso irá se desenvolver é que dá o charme e justifica toda a aventura. Mesmo para quem está habituado com o desenvolvimento do jogo e sabe que Kratos irá passar pelo mesmo lugar algumas vezes, pode se surpreender desta vez. Praticamente, você desce ao inferno, retorna ao cume do Olimpo, mas alguns assuntos te levam lá pra baixo de novo. Claro que a maneira como isso será feito é uma das melhores inovações da trilogia, que é a seção de vôo do jogo (que foi apresentada na demo). Ficou muito bem amarrado, e você não sente que está em busca de um item só para abrir uma porta, mas sim um conjunto de fatores que irão interferir no seu objetivo final. De uma certa forma, ao passar pelos deuses mais conhecidos, God of War consegue fazer uma coisa impossível na minha opinião: transformar a mitologia grega numa história ainda mais interessante!

God of War 3_combates2

Kratos fazendo o que faz de melhor…

O combate realmente ganhou mais atenção neste game. Uma crítica muito recebida nos jogos anteriores foi a presença de boas armas, mas a falta de integração entre elas durante combos, o que era bem frustrante. Em GoW3, a troca de armas pode ser feita durante uma luta (além dos usuais botões direcionais, fora de combate), segurando L1 e usando os botões de ataque para escolher qual arma usar (quadrado, triangulo, círculo ou X). Além disso, as armas secundárias, como o arco-e-flecha, também são acionadas num sistema parecido, mas usando o L2 ao invés do L1. Ao todo são 4 armas principais, e 4 itens auxiliares, que podem ser usados a qualquer hora graças a nova barra de ítem, que remove o uso de magia e recarrega automaticamente após um certo tempo. Todas elas apresentam o já conhecido sistema de upgrades usando as orbs vermelhas, mas a impressão que tive é que conseguir chegar aos níveis mais altos ficou um pouco mais fácil. Outro detalhe que me chamou a atenção é que as armas estão realmente mais bem balanceadas, umas com grande poder a curta distância (como as empunhadeiras chamadas Cestus), outras com mais extensão para combos maiores em mais inimigos (como as Blades of Exile). Para os veteranos de God of War, o jogo não é exatamente um desafio, e você pode jogar direto no modo mais difícil, e aí sim ter suas habilidades testadas. O sistema de combos é o mesmo de God of War 2, e você já estará dizimando hordas de inimigos logo nas cenas iniciais com combos de até 1000 hits.

God of War 3_combates

Não dá pra ver na imagem, mas os soldados estão borrados nas calças.

O jogo tem algumas inovações interessantes no seu gameplay, como eu havia falado no review do Demo (sim, eu fiz um review de um DEMO). Deixar um inimigo atordoado e usá-lo como escudo enquanto corre em direção à outro grupo de adversários é realmente uma das maneiras mais seguras de se entrar numa briga. Outro jeito é com outra inovação, onde Kratos joga suas armas em direção ao inimigo, e em seguida se joga contra ele, abrindo a defesa para um combo aéreo devastador, numa combinação dos botões L1 e círculo. Este movimento também serve para iniciar um contra ataque, principalmente se você for jogado no ar por seus adversários. É interessante observar que o impacto das suas armas contra os inimigos ou superfícies é único, enquanto que ao serem lançados contra paredes, os minions de Hades e Zeus ficam estatelados até escorregarem até o chão ou até seu próximo combo. Como uma melhora na inteligência artificial dos soldados, agora eles podem atacar em grupo e tentar esmagar Kratos, fazendo o famoso montinho. Nada que mexendo no analógico esquerdo não faça mandar todos eles para os ares. As Boss Fights seguem o mesmo sistema já conhecido dos jogadores, onde um combo pode ter que ser interrompido para se defender de um ataque devastador, mas no fim, tudo termina numa Quick Time Event. Uma mudança, no entanto, se deve à algumas cenas, onde você assume o papel do “executado”, enquanto ordena Kratos no seu papel de “executor”, e assiste a cena literalmente com outros olhos. Quanto à movimentação, ela está bastante fluida, e mesmo quando você luta sobre o braço de um Titã (que está se movimentando para atacar uma das criaturas mandadas por Poseidon para te impedir), você não sente o controle “indeciso” sobre qual movimento você quer fazer. Mesmo mudando de vertical para horizontal, e depois se pendurando no teto, o controle responde exatamente como você quer se movimentar. Quem acompanhou as duas primeiras edições do jogo sabe que Kratos escala paredes, se pendura por beirais, usa suas lâminas para se balançar (ou se lançar) a pontos mais distantes, e toda essa movimentação estará de volta no terceiro capítulo, com a opção de acelerar o movimento, principalmente andando em beirais ou se pendurando neles.

God of War 3_Movimentação

Movimentação fluida e precisa marcam toda a aventura…

Chega a ser desnecessário dizer, mas o visual do jogo está soberbo. Da introdução às memórias de Kratos, dos cenários vastos e os efeitos de luz provocando pelas orbs, das lâminas batendo no chão ou na pele dos adversários, das lutas contra inimigos enquanto Titãs escalam o Monte Olimpo, tudo se mostra com uma quantidade de detalhes absurda, que te fazem lamentar não poder perder alguns minutos observando a paisagem com a câmera, seja por seus próprios afazeres, seja pelo fato de que a câmera é fixa. O jogo mistura beleza de detalhes e riqueza de texturas numa proporção tão grande que arrancar as tripas de um Centauro é ao mesmo tempo fascinante e grotesco, e em nenhum momento ele te deixa esquecer o que está acontecendo ao seu redor, como a chuva que cai após você enfrentar um determinado personagem, seja pelas pragas que infestam a cidade de Olímpia quando outro dos Deuses gregos sucumbem ante as lâminas de Kratos. Durante os flashbacks, que ajudam a relembrar a história do guerreiro espartano, toda a arte é representada por tons de vermelho e preto, que consegue dar uma variação às animações e CGI sem sair do espírito de God of War. Ainda na parte visual, as feições, os rostos, a respiração, os poros, os cabelos, dentes, músculos e principalmente o sangue dos seus inimigos é representado de uma forma tão natural que chegamos acreditar que é um filme em alta definição, e não um jogo que está passando na tela. O mais interessante é que toda essa beleza roda numa fluidez incrível, mesmo com mais de 50 inimigos na tela, entre soldados, centauros e cíclopes.

God of War 3_Fundo

Aonde quer que você olhe, os detalhes estão soberbos.

Os puzzles, que sempre estiveram presente na série retornam neste terceiro capítulo, e com algumas inovações interessantes. Agora, ao carregar um bloco que precisa ser colocado em outro local, você pode rotacionar o objeto usando o botão analógico R, o que elimina as mesas rotatórias presentes nos jogos anteriores com a mesma finalidade. Outro ponto interessante ocorre perto da primeira metade do jogo, onde você é obrigado a encontrar a saída de algumas salas usando dispositivos que mudam a orientação da mesma, e te colocam hora de lado, hora de cabeça pra baixo. Além disso, em um específico labirinto, o jogo usa um sistema parecido com a engine de Ecochrome para que você encontre seu caminho usando não só os locais físicos, mas também a perspectiva destes locais. Outra inclusão inédita à série é uma parte do jogo onde um determinado personagem age em conjunto com Kratos, seja auxiliando na resolução de alguns puzzles, seja para ser resgatado de um grupo de inimigos.

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Efeitos de luz e sombra em excelente harmonia…

O jogo apresenta alguns pequenos bugs, principalmente no que diz respeito às famosas invisible walls. Embora seja um mundo amplo, vasto e detalhado, em GoW3 não há muito espaço para sandbox e exploração, e a aventura se mostra bastante linear, a exemplo dos seus anteriores, e em algumas seções, tudo o que impede Kratos de prosseguir para fora de seu caminho é um arbusto, ou um bloco da altura dos joelhos do espartano. Além disso, alguns pulos inofensivos à primeira vista podem se tornar uma séria dor de cabeça devido à falta de precisão das plataformas em decidir o que é borda e o que não é. Além disso, algumas seções fazem com que você morra sem motivo aparente, mesmo estando em locais fechados e aparentemente sem pitfalls.

God of War 3_Vôo

A câmera do jogo, como tem sido marca registrada da série, é fixa, e o analógico direito fazendo o papel de esquiva, e assim como seus antecessores, trabalha em grande harmonia com as suas ações, sem que você precise se preocupar com a visão do jogo. Logo no início, a apresentação faz um vôo rasante por toda a região do Monte Olimpo, indo das profundezes do Rio Styx, nos domínios de Hades, passando por Olímpia em guerra e pelos Titãs que escalam em direção aos Deuses, chegando à morada de Zeus e seus seguidores, e já neste ponto você tem certeza que está prestes a enfrentar uma batalha épica sobre traição e acerto de contas. Você ao mesmo tempo é uma peça minúscula nas costas de um colosso e uma peça principal no embate que está por vir. E em nenhum momento o jogo deixa de te lembrar isso.

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God of War 3 pode dizer que cumpriu a sua missão. A história recebeu um desfecho interessante (e até previsto), e foi entregue num dos jogos mais bonitos e detalhados do Playstation 3. Todos os aspectos do jogo receberam a atenção que deviam, e o estúdio Santa Mônica aplicou com muita propriedade o ditado “se não está quebrado, não conserte” A câmera, fixa, o combate, o design e variação dos inimigos, os cenários, os quebra-cabeças, e cada um dos personagens e sua caracterização te dão uma boa noção do que os atuais consoles são capazes. Existem, claro, alguns pequenos erros, mas como um todo o jogo está perfeito. No fim das contas não se tratou apenas de um acerto de contas, mas uma redenção sobre uma vida cansada de guerras e pesadelos, e o mais interessante foi que todas essas emoções conseguiram ser passadas dentro do game, seja pelas mãos sujas de sangue de Kratos, seja pelos Quick Time Events que colocaram a ação nas mãos do jogador, seja pela viagem que o espartano faz às suas memórias numa animação diferenciada, seja pela intensidade com que Zeus e Kratos querem se destruir (e não somente derrotar), ou seja pela emoção de terminar um jogo desafiante. God of War 3, assim como vários outros jogos reforça a idéia de que videogames são sim uma forma de arte, sem perder o lado do entretenimento, ao apresentar a beleza de um roteiro bem contado manipulado por um jogador. Definitivamente, é uma obra-prima a ser apreciada por gerações.

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2 Jogadores

  1. […] This post was mentioned on Twitter by Danilo Gutierrez, Guilherme Costa and Duque de Waldeck, Território Nerd. Território Nerd said: RT @diadegamer: Novo Post!: [Game ON] God of War 3 – Review http://bit.ly/dytNBl […]

  2. duquew says:

    Eu acho que tds as seleções gregas, de todos os esportes, deviam abandonar aquele azulzinho meia boca e adotar um uniforme cinza com um raio vermelho. Intimidação é parte do jogo!