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[Game ON] Resenha – Heavy Rain

O que você faria para salvar a vida de quem você ama? Quais sacrifícios você é capaz de suportar para provar que merece o respeito e o amor de alguém importante para você?

Essas são apenas algumas das questões envolvidas em Heavy Rain(exclusivo para PS3), jogo desenvolvido pela Quantic Dreams, que coloca você na pele (e nos movimentos) de Ethan Mars, que teve seu filho desaparecido e supostamente é a mais nova vítima doAssassino do Origami. Além de Ethan na trama central, você também controla outros 3 personagens que se tornarão fundamentais no desenrolar do enredo. São eles Norman Jayden, um agente do FBI especializado em investigações de sequestro; Scott Shelby, um detetive particular contratado para resolver os casos do Assassino do Origami; eMadison Paige, uma jornalista investigativa que sofre de insônia crônica. Como estes personagens se relacionam, e qual a importância de cada um deles é o que fará você seguir para o próximo capítulo, e conhecer toda a fascinante história de Heavy Rain.

O objetivo de qualquer mídia que pretende prender a atenção dos seu espectador é envolve-lo num ambiente realista, e trazer as emoções do jogador para dentro do cenário proposto pela história.Heavy Rain pode dizer que conseguiu atingir esse objetivo ao criar um mundo e um roteiro que lhe faz pensar como os protagonistas, agir como eles, e sentir suas emoções. Embora a trama não mude de direções na maioria das suas decisões (com exceção dos 7 finais do jogo), a narrativa do jogo se adapta às suas ações e o atrai para dentro do enredo com um jogo de emoções e decisões. Existem também alguns pequenos bugs que podem rapidamente te tirar do envolvimento do jogo, mas em questão de minutos você já está familiarizado com tais problemas.

JOGABILIDADE

Tido como uma das maiores revoluções no conceito de games como forma de arte da nova geração, Heavy Rain desembarcou no Playstation 3 cercado de expectativas, que misturavam emoções relativas ao enredo, aos gráficos e ao conceito de jogabilidade diferenciada, presente em jogos da produtora Quantic Dreams. E é essa jogabilidade que torna Heavy Rain único, superior inclusive ao seu antecessor Fahrenheit (Indigo Prophecy nos EUA). Comparativamente, podemos dizer que Heavy Rain leva em consideração mais movimentos naturais, ao invés de somente apresentar botões na tela para serem apertados no momento certo. Se um personagem precisa abrir uma porta ou uma torneira, não basta somente apertar X ou O na hora certa, mas sim representar no controle analógico direito o movimento que ele precisa fazer.

Até mesmo dentro da jogabilidade existem diferenças que precisam ser mencionadas. Dependendo da ação que você precisa representar, será preciso apertar um botão dentro de um tempo limite, ou segurar um botão, depois outro e depois outro sem largar os dois primeiros, ou sacudir o controle com força em determinada direção. As opções são bem variadas, mas seguem uma regra fácil de perceber, até porque para abrir a porta de uma geladeira você não precisa de movimentos bruscos (ou seja, sacudir ocontrole), e sim de movimentação suave (analógico direito). O grau de imersão que o jogo quis dar à todos os seus aspectos é notável, já que em situações de estresse ou medo, os prompts (com instruções de comando) podem sacudir, ou aparecer tão tremidos na sua frente que podem chegar à atrapalhar na sua tomada de decisões.

Ao contrário do que se acredita, Heavy Rain não é um jogo somente feito em cima de Quick Time Events (como Shenmue ou, em parte,God of War), já que não existe um certo ou errado nas suas ações, e sim uma árvore de consequências baseadas no caminho que você tomou. Em algumas cenas de luta, por exemplo, errar um comando não gera uma animação que te leva ao ponto onde você pode tentar de novo, mas sim gera mais um pouco de dificuldade de vencer aquele oponente. Por isso, é obvio que você pode perder algumas lutas e mais decorrer no jogo ou até morrer.

GRÁFICOS

O visual é assustadoramente real, tanto que nas cenas onde chove (ou seja 90% do jogo) você pode chegar a sentir frio, dado o som das águas e das poças, a movimentação rápida dos personagens para sair da chuva, e do tom sombrio que a cena toma. Outro ponto importante do poder gráfico utilizado é a respeito dos cenários e suas interações. Em vários momentos você está no meio de uma multidão, como em shoppings, estações de trem e até discotecas, e não existe um movimento repetido por qualquer um dos mais de 100 NPCs na cena. É bem impressionante, porque inclusive nestes locais você precisa andar pelo meio destas pessoas, e a interação é bastante variada. Tomando Assassin’s Creed como exemplo, ao andar pelas ruas de Veneza ou Toscana, você podia usar um comando (B ou O) para andar entre eles sem esbarrar ou se chocar contra ninguém.

Em Heavy Rain, essa seção vai além, visto que a interação pode ser com um outro personagem que pode estar dançando, carregando uma mala, ou lendo jornal. E para cada encontro desses, ocorre uma reação diferente. Ande na contramão do fluxo no shopping e você será empurrado lateralmente pelos passantes, procure passagens apertadas entre duas pessoas conversando, e você verá o seu personagem usar as mãos para afastar seus obstáculos, sem que necessariamente você esteja restrito à um comando somente, deixando esta ação para a CPU e ganhando em naturalidade.

Outro ponto importante é a cena de loading que ocorre quando você está trocando de personagem, com um close no rosto de cada um, e é possível perceber vários detalhes com uma nitidez impressionante. Embora seja uma cena rápida, ressalta bem o cuidado que a Quantic Dreams teve com a modelagem dos personagens para que eles fossem os mais reais possíveis.

TRAMA

O roteiro é um grandes trunfos de Heavy Rain. O envolvimento de cada personagem, o desenrolar da história, e até o título do jogo, que é tratado mais como um filme interativo, tem uma ligação direta com a história. Há um Serial Killer à solta, que está sendo chamado de Assassino do Origami pela polícia e pelos repórteres, por deixar o corpo de suas vítimas abandonado sempre com um origami de algum animal. Ethan, por acreditar que o desaparecimento de seu filho pode ser mais um caso, parte com tudo para resolver por si só essa situação. Neste ponto, o jogador embarca num thriller bem escrito, onde os acontecimentos fundamentais ocorrem no tempo certo, sem que dê a sensação de entregar o final muito facilmente, e que todas as histórias dos demais personagens se juntam para compor um fio bem trançado, sem espaço para acreditar que algum deles seja supérfluo, ou desnecessário.

A sensação de imersão é maior do que em qualquer outro jogo, e chega a ser maior do que muitos filmes. Isso se deve em parte aos controles e a sua constante necessidade de atenção para não perder um comando. O roteiro foi muito bem escrito, e quase nunca perde o suspense, mesmo quando você passa a controlar outro personagem em um ponto diferente da história. Existem algumas reclamações relacionadas ao tempo para a trama engrenar, mas quando finalmente ganha velocidade você fica mais e mais interessado no que vai ocorrer a seguir.

CONSIDERAÇÕES FINAIS

Heavy Rain chegou com muito hype no PS3 e mostrou a que veio. Gráficos, jogabilidade, som, roteiro, imersão, são todos pontos positivos. Claro que existem falhas, e a principal delas é a movimentação. Você faz seus personagens andarem ao segurar o R2, e muda sua direção com o analógico direito (girando a cabeça do personagem). Em teoria, é um sistema simples e eficiente, porém na prática, a precisão fica bem arruinada, principalmente se você precisa pegar algum objeto dentre vários, ou se mover por partes estreitas dentro de uma casa. Existem rumores de que Heavy Rain deverá ganhar suporte ao Playstation Move, e particularmente neste caso parece uma excelente idéia. Como o jogo todo é baseado em movimentação, e inclui alguns trechos com Quick Time Events, a aplicação no PS Move ficaria bem natural, e daria uma boa noção sobre o que os jogos com captura de movimentos poderão fazer daqui pra frente. Mas de volta ao controle convencional, realmente ainda é um pouco frustrante até você se acostumar.

Outra crítica gira em torno de algumas pontas soltas. No início, Ethan acredita estar sofrendo de esquizofrenia, e em geral sofre alguns apagões, somente voltando a si mais tarde em locais que não conhecem. Essas cenas são impactantes, mas não ganham sequer uma menção posteriormente.

Ainda existe a crítica de que os personagens “secundários” não tem sua história aprofundada, explicando possíveis comportamentos por parte dos mesmos, mas como todo o roteiro é voltado para o plotcentral, possivelmente ficaria deslocado trançar uma fiação tão extensa sem que fosse acrescentar nada realmente.

Podemos ter em Heavy Rain um jogo que vai ser lembrado por anos a fio, seja por qualquer um dos motivos explicado aqui. Mas pelo momento, é definitivamente um dos mais surpreendentes em um bom tempo, ao lado de games de peso como BraidLinger in ShadowsIco, Shadow of the Colossus e poucos outros. Se você têm um PS3, não deixe de experimentar jogar esse filme de suspense!

3 thoughts on “[Game ON] Resenha – Heavy Rain

    1. Dia de Gamer Post author

      @Andre

      Bom que você foi ler a materia, e até "gostei" do seu comentário, porque muitas pessoas não sabem que sou EU quem faz as resenhas do Jovem Nerd, e meu acordo com meu acordo com ele não necessito citar a fonte, já que lá (NO ORIGINAL) fica claro que eu escrevi; além disso, nosso acordo permite a republicação neste blog. Caso se sinte incomodado, reclame com o Jovem Nerd.

      Abraços

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