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[Classics] O que aconteceu com MegaMan?

*Texto Originalmente publicado no Nerdrops. Re-publicado sob autorização.

Estive confabulando sobre os antigos personagens de games recentemente, heróis antigos como Sonic, Mario, Yoshi, Knucles, Ryu e Ken, além de alguns outros, e inclusive daí saiu o meu artigo sobre o que se fazer com o Sonic, publicado aqui no Nerdrops. E acabou que mais um veio na cabeça: Mega Man (ou Rock Man no seu original japonês). Essa confabulação acabou acarretando uma mini-investigação, onde me deparei com vários fatos que podem confirmar uma triste suspeita: Mega Man pode estar a caminho do Limbo gamístico, e talvez pior ainda, está sendo descontinuado pela Capcom.

Mas antes de ficarmos desesperados e tirarmos conclusões precipitadas, vamos analisar os fatos.

Keiji Inafune, Pai do Azulão

1) Keiji Inafune, um dos pais do Azulão (e o diretor mais importante para a saga do menino-robô), falou o que devia e o que não devia em meados de 2010, quando afirmou que o mercado de criação de games Japonês está pelo menos 5 anos defasado com relação ao mercado Americano e Europeu. Nem preciso dizer que isso irritou seus colegas de trabalho, além de criar um certo desconforto com a própria Capcom, já que ele foi apontado como diretor Global da companhia no início daquele ano, e prometeu devolver à “glória” dos áureos tempos à empresa, igualando as criações da matriz, da filial americana e da filial européia. Isso é como afirmar na sede de sua empresa que as suas representantes sabem fazer melhor o seu trabalho do que você mesmo. Em outubro de 2010, Inafune se desligou da Capcom, depois de 23 anos de serviço, sem qualquer motivo aparente para tal decisão.

Megaman Universae: vala!

2) A Capcom preparava um mega lançamento que viria a bater de frente com games “open-world” como vários MMOs, chamado Mega Man Universe, que foi demonstrado ao público na TGS de 2010, sendo sumariamente cancelado em Março deste ano, alegadamente sobre vários pretextos. Isso é que é o mais suspeito, já que cancelamentos de games em geral ocorrem antes da fase “Gold”, que é o momento onde eles estão prontos para demonstrações em público nos grandes eventos como TGS e E3. Ok, pelo outro lado, a demo não chegou a empolgar muito, mostrou controles sem precisão, um gráfico aquém do esperado, o que pode ter levado o game a ser considerado “arriscado”, e por isso foi mandado pra terra dos projetos que nunca serão games. Ainda tivemos mais um cancelamento, que é o próximo item.

Megaman Legeds 3: cancelado

3) Outro problema foi Mega Man Legends 3, que seria um dos primeiros games de peso na nova plataforma portátil da Nintendo, o 3DS, e que também foi cancelado, sendo que esse nem poderia ter sido considerado arriscado, já que o anúncio inicial do próprio game rolou em setembro de 2010, e o cancelamento ocorreu em julho de 2011. É muito pouco tempo para desenvolver algo palpável a ponto de se dizer se ele vai ser sucesso ou não, principalmente com uma plataforma nova. O agravante aqui é que Mega Man Legends 2 foi realmente um bom jogo, com scores próximos a 7,5 em vários sites, além de ter criado uma boa legião de fãs. E embora Inafune tenha saído em outubro (um mês depois do anúncio do jogo), a Capcom reafirmou que a produção do game iria continuar. Isso até o dia 18 de julho, quando foi oficialmente cancelado.

MvsC3: Megaman Fora!

MvsC3: Megaman Fora!

4) E o último fato (e mais estranho pra mim): Mega Man foi solenemente ignorado no casting de Marvel vs Capcom 3, depois de sua presença e da sua “irmã” Roll nos games anteriores da série. Mega Man era um dos melhores personagens para quem está começando neste tipo de game, e a sua presença era certa no game. Mas, de volta à linha do tempo, O anúncio do jogo foi na E3 de 2010, e segundo os diretores da game, ele vinha sendo rascunhado desde o final de 2008. O problema aqui seria uma questão de direitos autorais, já que Mega Man pode ser de controle do Inafune, enquanto que os outros personagens não necesariamente são da mesma propriedade intelectual. E aí é uma questão interna, que pode inclusive ajudar a responder muitas das questões anteriores. Mas os sinais são bem visíveis.

Não acredito que realmente a Capcom vai acabar de vez com o Azulão, até porque boa parte dos fãs da empresa começaram com o Mega Man no Nintendinho e no Super Nintendo. É muito mais provável que seja realmente uma dispurta judicial entre Inafune e a Capcom, e por isso a utilização do personagem esteja suspensa para os próximos jogos.

O último Game Over?

O último Game Over?

Não justifica, porém, o cancelamento de título, que poderia ter sido colocado em hold até que algum acordo fosse resolvido. E é neste dualismo que resta minha dúvida: a Capcom cansou do Azulão, por isso os cancelamentos, ou ela quer resolver tudo sobre propriedade intelectual para relançar o menino-robô?

Particularmente, eu fico realmente triste quando “mortes” assim acontecem. Não que eu dê isso como certo, mas é inegável que “algo errado não está certo” no mundo robótico do Mega Man e sua turma. E por todas as horas que joguei, e todos os xingamentos que gritei (especialmente no Mega Man 2), espero que tenhamos um retorno o mais breve possível.

[Classic Games] A Série Megaman

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Quando éramos ainda da era dos 8 bits, lá nos anos 80  e 90, uma idéia em comum permeava na cabeça das crianças e adolescentes da época: a partir do ano 2000, robôs seriam comuns em nossas vidas, sejam como auxiliares, serviçais, como força policial, ou como corpo médico, e poderíamos confiar nossas vidas à essas máquinas para que pudéssemos focar em outras coisas, sejam elas quais forem… E é nesse universo que nasceu um dos personagem mais respeitáveis da história dos videogames, tão respeitável que garantiu seu lugar ao lado do Mário na etiqueta que classifica jogos clássicos neste humilde blog (Hehehehe).

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Mega_Man_3_NES_ScreenShot3Megaman, ou Rockman como é conhecido no Japão nasceu em 1987, e já figurou em mais de 50 games diferentes, e das mais variadas ramificações. Sua principal característica era a de poder absover os poderes de seus inimigos derrotados, e usá-los estrategicamente contra os próximos inimigos. Uma mudança legal era a sua opção de escolher qual inimigo vai enfrentar em cada estágio, ao invés de estágios fixos, como nos jogos de aventura na época, o que te permitia explorar alternativas de como percorrer o jogo. Além disso, outra característica que marcou o jogo era a sua dificuldade, bem acentuada, capaz de levar alguns gamers à loucura, sendo que talvez fosse necessário percorrer o estágio algumas vezes antes de conseguir chegar ao final com vida suficiente para enfrentar o chefe final.

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Mega_Man_(Mega_Man_9)A série original contém 10 jogos (Megaman 1 até 8, Megaman e Bass, e Megaman 9), até a sua “evolução” em Megaman X1, X2 e adiante. Fora a série canônica e a série X, ainda existem Megaman Legends, Megaman Battle Network, Megaman Zero, Megaman ZX e Megaman Star Force. Embora algumas dessas séries só aparecem em determinados consoles, como no caso de Megaman Zero e ZX serem somente no Nintendo DS, todas as séries pertencem à uma determinada timeline, que se encaixa da seguinte maneira:

  1. Megaman (Original Series): Ano de 2008 até 2017, sendo cada aventura em um ano correspondente. A explicação para isso vem do livro chamado Megaman Perfect Memories, disponível somente no Japão, que conta a história do Prêmio Nobel que Dr. Light, criador do Megaman, recebeu em 2007 após aperfeiçoar o “chip de aprendizado”, que deu origem ao Megaman. Daí suas aventuras começarem em 2008.
  2. Megaman X se passa quase 100 após a série original, nos anos 2100, e já não conta mais com a presença de Dr. Light (também pudera, ele já era bem velhinho nos jogos originais!). Uma das características principais dessa série é a capacidade de adquirir armaduras diferentes para Megaman (chamado somente de X nessa série), além dos poderes dos inimigos.
  3. Megaman Zero acontece após os eventos de Megaman X, sendo alocados 100 aos após, o que na conta dá em torno dos anos de 2200. Neste jogo, o gamer toma controle do personagem Zero, ao invés de Megaman, e precisa acabar com uma nova ameaça que pretende usar o corpo remanescente de X como fonte de energia para os Dark Elfs. Não me pergunte o que é isso.
  4. Megaman ZX segue após o final do anterior, mas se passa 200 anos após, ou seja perto de 2400 DC. O interessante aqui é que Zero e X são apenas dados na época do jogo, algo como chips de informação, e dois personagens humanos são apresentados para obter tais informações.

Apenas Megaman Battle Network e Star Force não pertence à linha de tempo, sendo tratados como universos paralelos onde a computação evouluiu mais do que a robótica, mas mesmo assim, Star Force se passa 200 anos após Battle Network.

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Acertos e Tropeços – A série Megaman sempre foi alvo de muitas críticas principalmente devido à não finalização de vários arcos de histórias, como a série Legends, Zero e ZX. Isso ocorre devido às mudanças nos times de produção dos jogos, e em muitas vezes ocorre uma perda da qualidade dos games. Também existem muitas críticas sobre as mudanças no game original, que continha simplesmente elementos de pular e atirar. Após os anos, Megaman ganhou habilidades de escalar paredes, correr, deslizar no solo, chamar a ajuda de seu cão para usá-lo como arma em alguns momentos, mas a maioria dos gamers preferia quando era tudo uma questão de timing, pular e atirar na hora certa. Eu particularmente gostei da série Original e da série X, mas só até o X4. Depois disso fiquei com a impressão de que tudo estava caindo na repetição, faltava um quê de originalidade, e em determinado ponto nem mais o inimigo representante da água (ou gelo) não era mais vulnerável ao inimigo do fogo! Aí é absurdo demais.

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Joguei também o Megaman Zero, mas não conseguiu chamar a minha atenção. Um ponto ruim nessa bagunça toda era que embora os jogos fossem lançados simultaneamente, a história já tratava dos eventos posteriores e aquele que era um aliado no game atual era o inimigo mortal do game anterior, e vice-versa. Isso criava uma confusão absurda, e o jogo perdia pontos no conceito dos gamers. Na minha opinião, até mesmo a série X poderia render uma história interessante, por exemplo no game em que um vírus acaba infectando os robôs “do bem” tornando-os “do mal”, e poderia ter sido criado toda uma história ao redor disso. Mas como em quase todos os jogos dessa série (ou em todos não sei) o vírus era o vilão Sigma.

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megaman-x-zero-in-shadows_adDentro os acertos da série, eu acredito que o personagem em si ficou bem marcante, e Megaman apareceu em vários games não relacionados às suas aventuras, como no crossover Marvel x Capcom, além de levar sua marca à outros gêneros, citando Megaman Soccer (misericórdia) e Megaman Battle & Chase (estilo Mario Kart), ou na sua própria série animada para a TV. Zero também pode ser considerado um caso de personagem de sucesso, mesmo ficando um pouco à sombra do protagonista, mas existem vários jogadores que preferem jogar com ele ao invés de X. Claro, isso ocorre quando a Capcom não sacaneia e desaparece com o personagem sem qualquer explicação, ou o torna um dos vilões.

megaman zxIndependente dos rumos que Megaman leve, à essa altura podemos ter certeza de que ele já tem lugar garantido no Hall da Fama dos personagens carismáticos, e com lugar de destaque. Suas histórias originais foram tão marcantes que o último lançamento multiplataforma do robô azul ignorou toda e qualquer tecnologia de gráficos e foi feita baseada na aparência original, e lançada para os consoles de última geração. Isso mostra o quanto aqueles games 8 bits irritantes de tão difíceis foram importantes para vários gamers da geração atual, e sua dificuldade criou um conhecimento necessário para toda uma série de jogos em todos aqueles que desafiaram os robôs do malvado Dr. Willy!