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[Classics] A Salvação para o Sonic

Texto originalmente publicado no Nerdrops. Re-publicado sob autorização.

Se você joga games, você conhece o Sonic. Se você gosta de games, mas não joga tão frequentemente, você com certeza já ouviu falar em Sonic; se você vive, provavelmente já ouviu falar em Sonic ( </exagero> ).

Sonic era “o” cara!

E se acompanha a história dos games por pelo menos uns 10 anos, você deve saber que o porco-espinho azul da outrora gigante japonesa Sega está no limbo, derrotado e sem rumo.

O velho conflito Sonic X Mario

Prestes a completar 20 anos, Sonic não tem um futuro claro pela frente. Antes símbolo de uma rivalidade saudável entre Sega e Nintendo pela preferência das crianças, disputando as atenções contra o Mário (aquele… da Nintendo), o veloz azulado amarga uma sequência de desastres na forma de games, e a última canoa furada que meteram o coitado, e que foi vendido como renovação da série, não foi o grande retorno triunfal que a Sega esperava.

Agora, resta uma pergunta: Sonic terá salvação?

Este que vos escreve era um grande fã dos games da época do Mega Drive. Joguei o Sonic 1, o 2, o 3 e o Sonic & Knucles tantas e tantas vezes que posso dizer o caminho perfeito de várias fases desses games sem qualquer esforço.

Por algum motivo, não comprei o Dreamcast, e por isso perdi o Sonic Adventure, e assim meu legado praticamente terminou com o azulão.

Knuckles: o único sidekick fodão

Nos reencontramos já no PS2, com Sonic Heroes e outros jogos semelhantes, mas muita coisa havia mudado (talvez a quantidade de personagens secundários desnecessários disputando a atenção tenha algo a ver com isso – exceto Knucles. Ele é fodão).

E daí pra frente foi ladeira abaixo. Nem a divulgada “renovação” do game com Sonic 4 foi capaz de trazer a diversão de antes. Inclusive, minha resenha ácida sobre Sonic 4 está no Dia de Gamer.

Contudo, ao invés de somente criticar, vou dar sugestões. Querem retornar ao louvor do personagem? Então siga estas dicas do tio Gui:

1) Retirem o Sonic de circulação, pelo menos por uns anos

Sim, eu sei, dói na alma ouvir isso, mas precisamos ser fortes. É melhor esperar 4, 5 anos até ouvir falar dele seriamente do que ter um lançamento patético por ano, e esgotar ainda mais a imagem dele, que já está bem abatida. Faça os jogadores terem saudade do personagem, e consequentemente dos games dele. Isso ajuda a diminuir a rejeição pelos lançamentos no futuro, além de evitar a falência definitiva da franquia.

2) Retirem imediatamente o Team Sonic do controle do personagem!

Eu tenho como exemplo pelo menos 3 jogos horrorosos onde estes caras só fizeram cagada (e olha que eles foram a melhor equipe que já trabalhou com Sonic!). Dêem outra tarefa para esse pessoal, pois eles estão se agarrando às glórias do passado (onde realmente fizeram coisa boa), mas estão falhando em renovar o seu próprio estilo. É hora de outras pessoas testarem suas idéias, é hora de outras linhas de programação fazerem o que o Team Sonic não conseguiu.

Fora Team Sonic!

3) Retirem a fala do personagem

Grande parte do carisma do Sonic caiu por terra quando ele começou a falar. Antes, na época do Mega Drive, Sonic era mudo, compenetrado, e sempre pronto pra agir com um semblante sério, e demonstrando impaciência quando o jogador demorava a correr.

Foi dada voz ao personagem, muito acharam esquisita, fina, não compatível com a imagem que tinha antes, e o estrago estava feito. Trocar pra uma voz grossa ficaria sem sentido, e já que queremos ignorar os erros posteriores aos grandes games clássicos, é uma boa hora pra cortar essa voz. Ah, e já que estamos neste aspecto, nada de namoradas humanas, armas ou espadas, ok? Sonic é um porco-espinho que corre. Ponto final.

Sonic oldschool

O que fez Sonic 1, 2 e 3 serem tão bons, tão bem falados? Onde eles acertaram, onde erraram? Porque Sonic Adventures se saiu tão bem mas Sonic Adventures 2 não conseguiu superar? Olhar para seu caminho percorrido e re-avaliar seus próximos passos é a melhor maneira de evitar erros no futuro. A transição dos caminhos 2D para 3D com certeza não foi bem feita nos jogos do Sonic, mas existe solução sim.

Não foquem somente em gráficos estonteantes e paisagens lindíssimas que passam pela tela como um borrão ao toque de um comando, e foquem no que é divertido e instigante. Sonic 2 e Sonic 3 tinham fases que eram bons labirintos, que davam o desafio de encontrar melhores rotas e caminhos mais curtos, e isso nunca mais voltou à cena. Uma idéia diferente também pode dar certo, como efeitos de jogabilidade, por exemplo. Usem efeitos de câmera lenta, para que o jogador tenha noção de que Sonic é rápido e sua mente também é, mas sem que fique repetitivo e massante.

Apelem para a nostalgia, mas não deixem de se inspirar no que foi correto nas gerações anteriores. Voltem a ser crianças, ligando seu Mega Drive pra jogar um jogo do Sonic, e tentem capturar esse momento. Só assim um verdadeiro jogo “novo” será lançado. Do contrário, será só mais um “jogo do Sonic”.

Volta às origens?!

Bom, falta de modéstia a parte, é isso o que eu acho que Sonic pode tentar antes de ser enterrado de vez no limbo do esquecimento. Não que estes passos vão dar certo, mas é o tipo de crítica que os lançamentos do Sonic mais recebem em cada versão. Como fã do bicho, eu queria muito ter um jogo onde fosse realmente divertido jogar, e que me lembrasse de como era na minha infância.

Mario soube se reinventar e reina firme e forte até hoje, enquanto que Sonic focou na velocidade, e esqueceu a diversão. Mas nada está perdido, ainda temos tempo de recuperar o azulão, e com a velocidade dele, chegaremos na atual geração bem rapidinho.

Ok, essa “piada” foi péssima mesmo.

[Classics] Os mascotes dos anos 90

Classic Post

Todo mundo conhece essa his­tó­ria: nos anos 90, a Sega e a Nin­tendo bri­ga­vam pau a pau pela hege­mo­nia nos con­so­les, dis­pu­tando lan­ça­men­tos exclu­si­vos, que agra­da­vam seus fiéis con­su­mi­do­res e ata­za­nava a vida dos que esco­lhe­ram o outro sis­tema.

ilustracao_mascotes_anos90

Nessa época, os mas­co­tes tinham um lugar garan­tido no hall de entrada das sedes des­tas cor­po­ra­ções. Mario, do lado da Nin­tendo, e Sonic, do lado da Sega. Valia tudo: games (lógico!), cami­se­tas, brin­que­dos, action figu­res, qua­dri­nhos, mangá (já que as duas empre­sas eram japo­ne­sas), entre outras bugi­gan­gas. Aquele enca­na­dor repre­sen­tava todo um impé­rio nipô­nico, enquanto que o porco espi­nho azul era o rebelde que desa­fi­ava a hege­mo­nia do sistema.

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Pouca gente sabe, mas o nome Mario sur­giu como uma home­na­gem ao senho­rio do escri­tó­rio da Nin­tendo no Japão, que se cha­mava Mario Segalli. O nome ori­gi­nal do per­so­na­gem era Jump­man, devido ao fato de que, em seu pri­meiro jogo, ele pulava bar­ris, pulava de nível em nível até che­gar no Don­key Kong, que havia seqües­trado a sua namo­rada Pau­line, e pulava na cabeça dele. Para o per­so­na­gem ganhar o nome de “Jump­man” foi um pulo (!). Ok, seguindo em frente… Outro deta­lhe, ori­gi­nal­mente ele era desig­nado como um car­pin­teiro, e não enca­na­dor. A mudança na pro­fis­são se deu quando foi ela­bo­rada uma his­tó­ria mais pro­funda sobre o per­so­na­gem, acrescentou-se o seu irmão Luigi, e eles se muda­ram para o Bro­o­klin. Um belo dia, ao ten­tar con­ser­tar o enca­na­mento de seu apar­ta­mento, eles foram suga­dos para o Reino dos Cogu­me­los, conhe­ce­ram os outros per­so­na­gens do lado de lá, e ganha­ram per­mis­são para ir e vol­tar do Reino para o Bro­o­klin quando quisessem.

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Com Sonic, a coisa foi um pouco dife­rente. Ele não foi acla­mado com o tempo, mas sim cri­ado para ser “O” mas­cote da Sega. Ante­rior a ele, havia o Alex Kidd, mas esse não empla­cou muito no gosto dos joga­do­res da época. Deve ser a razão des­pro­por­ci­o­nal entre sua cabeça e sua mão. Sonic foi cri­ado sob o pedido da Sega para o time AM-8 (atual Sonic Team) que cri­asse um jogo que supe­rasse a marca de um milhão de cópias. Sim­ples assim.

Várias con­cep­ções foram cri­a­das, inclu­sive com o Sonic sendo um cachorro, um tatu (!) e uma hiena (!!). O esco­lhido foi um porco espi­nho, mas no Japão ele é tra­tado como sendo um ouriço. A recep­ção ao Sonic foi muito boa, e a pro­messa do “1 milhão de jogos ven­di­dos” foi cum­prida. Sonic era, assim como o Mário, um per­so­na­gem cati­vante, e melhor ainda, com um jogo envol­vente e vici­ante. A Sega tinha o seu mascote.

E o tempo pas­sou.

Vari­a­ções de jogos usando estes dois per­so­na­gens foram cri­a­dos, mas indis­cu­ti­vel­mente sou­be­ram usar o Mario melhor do que o Sonic. Mario Kart, Maior Party, Mario Golf, Mario Paint, pra­ti­ca­mente “Mario Qualquer-Coisa” pode­ria ser cri­ado. Enquanto isso insis­tiam na idéia de que o Sonic deve­ria man­ter a sua linha “para frente e avante”. Isso fez com que os joga­do­res tives­sem sem­pre jogos de cor­rida atre­la­dos ao Sonic, cri­ando uma asso­ci­a­ção quase obri­ga­tó­ria, enquanto Mario era mais livre para apa­re­cer em qual­quer jogo. Outro fator impor­tante foi uma mudança no pró­prio Sonic. Nos seus pri­mei­ros jogos, ele tinha um look enfe­zado, que­rendo cor­rer, recla­mando quando o joga­dor demo­rava em tomar alguma ação no con­trole. Dava um aspecto mais radi­cal, rebelde pro porco espi­nho, e isso agra­dava às cri­an­ças e ado­les­cen­tes que joga­vam. Até que deram a pos­si­bi­li­dade do Sonic falar. Boa parte do carisma caiu por terra, já que ele saiu da linha “pouco papo, muita ação”.

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Além disso, a Sega exa­ge­rou em dizer que Sonic era rápido. Nos pri­mei­ros jogos, você tinha a per­feita noção de “ace­le­ra­ção”. Pri­meiro anda, depois corre, depois voa, e não para até o fim da fase. Nos últi­mos jogos que joguei, como o Sonic Heroes do PS2, mal aper­tava o dire­ci­o­nal, e o jogo já estava com o cená­rio bor­rado pas­sando em velocidade-luz. Isso até que foi cor­ri­gido nos jogos mais recen­tes, mas o estrago de déca­das já estava feito. Até a Sega se ren­der e lar­gar o páreo. Sonic então virou um mas­cote sem estan­darte, um mero per­so­na­gem que ainda tem for­ças para lan­çar um jogo com o seu nome, ape­nas anda sem um jogo à altura que repre­sente a sua ima­gem. Resta a espe­rança de que a Sonic Team (que virou uma filial da Sega Soft­ware) recu­pere os “bons modos”, e faça um jogo sim­ples, diver­tido, e sem fres­cu­ras. É só isso o que os fãs querem. Enquanto isso, Mario con­ti­nua firme. Mais de 17 atu­a­ções dife­ren­tes em mais de uma cen­tena de jogos (como super herói, médico, pin­tor, cozi­nheiro, juiz de boxe, dan­ça­rino, luta­dor e piloto), pre­sente em cami­se­tas, cane­cas, pen dri­ves, livros, revis­tas, bolo de ani­ver­sá­rio, bolo de casa­mento e em quase tudo que possa ser vendido. É uma repu­ta­ção admi­rá­vel, até por­que hoje não existe mais esse con­ceito de empresa e mas­cote. Com a ter­cei­ri­za­ção da pro­du­ção dos jogos, inú­me­ros per­so­na­gens foram cri­a­dos, e essa neces­si­dade se difundiu.

E mesmo assim Mário con­se­guiu se man­ter como o rei da Nin­tendo por mais de 20 anos.

*Este texto foi publicado originalmente no Nerdrops.com.br neste link