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[Game ON] Split Second


Matéria originalmente publicada no Jovem Nerd, em mais uma parceria com o Dia de Gamer!

O mundo das corridas virtuais é repleto de opções variadas para aqueles que procuram por velocidade no mundo dos games. Desde simuladores reais de direção como Gran Turismo até corridas com batidas espetaculares como Burnout Paradise, os pilotos virtuais tem um campo bastante amplo para deslizar seus pneus virtuais. E é nesse terreno que Split Second consegue entrar e se destacar.

Cuidado, demolições na pista.

Desenvolvido pela Black Rock Studio, em parceria com a Disney Interactive, a temática do jogo envolve um reality show de corrida, numa cidade abandonada que ninguém gosta, já que tudo está pronto pra explodir a qualquer momento. Você corre por cidades, aeroportos, portos marítimos, shoppings, represas, usinas nucleares e cadeias de montanhas, mas é o diferencial do jogo é que te obriga a prestar mais atenção na paisagem do que apenas pela beleza do cenário em si. Calma, eu explico.

Carros de corrrida pela esquerda, aviões desgovernados pela direita.

Se por um lado os jogos de corrida convencionais (como Burnout Paradise) te incentivam a brigar diretamente com seu adversário por posições, Split Second se diferencia por colocar o cenário como opção para destruir seus opositores, devido à dinâmica do jogo e seus sitema de cenário interativo. Funciona assim: a corrida começa, você assume posições, faz manobras como drifts, drafts e jumps, e vai enchendo sua barra “Power Play”. Assim que acumula uma certa quantidade de poder, você pode ativar certos gatilhos no cenário (como barris explosivos, caminhões-tanque, ou até mesmo dinamite em colunas de prédios), e tentar acertar o seus adversários com os escombros, com a força da explosão, ou até mesmo com um prédio todo caindo em cima deles.

Seus adversários não saem da frente? Jogue a ponte em cima deles.

A sua barra de Power Play possui níveis diferentes, e quando você completa todos os 3 níveis, o poder mais forte fica disponível. Com ele, você ativa os Routes Changes, onde a destruição é tão grande que a rota da corrida é alterada a ponto de 25% do trajeto ser novo a partir dali, retornando ao antigo antes do fim da volta. O jogo não se resume somente à corrida entre adversários, mas também apresenta alguns outros tipos de gameplay. São 6 opções no total, sendo elas Race, Detonator (o básico time trial), Elimination (onde o último de cada setor de tempo é eliminado), Air Strike (tipo time trial onde um helicóptero incoveniente atira mísseis pelo seu caminho), Air Revenge (semelhante ao Air Strike, mas desta vez seu Power Play redireciona os mísseis de volta pro helicóptero) e Survival (onde você corre por uma pista fechada com caminhões soltando barris explosivos), e em cada um deles sua função é bem determinada e seus limites são postos à prova, seja por tempo, seja por dificuldade.

Vento que venta lá, venta cá, por isso, tome cuidado.

Um lado bem diferenciado ficou por conta da interface do jogo em si, que é todo tratado para ser realmente um programa de televisão. Cada “Season” contém um determinado número de “episódios”, e no último de cada temporada você compete com os mesmos corredores “Elite” em busca da maior pontuação no campeonato geral. Entre as Seasons até rola um preview do que poderá ser visto na próxima temporada, no melhor estilo “cenas dos próximos capítulos”, e você até tem uma pequena opção de qual temporada irá correr a seguir, mas no fim das contas não existe realmente caminhos diferentes, e sim algumas maneiras de passar pelas fases.

Cenários bonitos e mortais. Poético, não?

A rotina do jogo ficou bem equilibrada. Você já começa com carros rápidos em pistas velozes, e a sensação de evolução é bem clara por sempre ter uma pista nova desbloqueada (chega quase a uma nova por temporada, sendo 16 pistas no total), e um carro novo à espera daqueles que conseguem sempre os primeiros lugares. Durante a competição você vai voltar às pistas das primeiras corridas com um carro mais rápido, e vai perceber que realmente dá pra diminuir o tempo das suas voltas, dado à diferença entre os modelos e sua maior habilidade em controlar carros mais rápidos nas curvas, ou o conhecimento sobre os pontos de perigo da pista.

A cada season, mais carros e cenários são liberados.

Se existe alguma crítica, fica exatamente na parte “engessada” dos gatilhos durante a corrida. Quando você termina uma pista, já sabe exatamente onde cada um dos pontos-chave estarão nas próximas vezes que passar por ela de novo. Além disso, só existe 1 Route Changer por pista, o que diminui as suas opções estratégicas durante uma corrida mais acirrada, pois você passa quase 1 volta completa enchendo o seu Power Play, e se por acaso perder a chance de usar no ponto do Route Changer, ou se seu adversário estiver muito longe para sofrer os impactos, sua chance praticamente caiu a zero.

Não tem nada mais aterrorizante que ver um prédio desabar no seu capô.

O jogo ainda conta com algumas opções de multiplayer, seja offline com Split Screen ou online contra corredores do mundo todo, e quase todas as opções de corrida estão disponíveis no modo online. Com quase todos os jogos tendendo a migrar somente para o multiplayer online, ter essa opção é realmente uma grata surpresa. O modo de vários jogadores online ainda conta com um ranking de partidas, o que aumenta o grau de desafio, já que ficar numa posição inferior à sua mesma da corrida anterior retira pontos do seu ranking, enquanto que derrotar adversário em melhores posições no ranking soma preciosos pontos para sua “carreira”.

Pobre cidade. Ninguém gosta dela.

De um modo geral, Split Second traz um sopro de inovação ao gênero de corridas, por trazer o cenário como mais um inimigo potencial, ao invés de focar somente nas batalhas entre adversários, a exemplo de outros games do gênero. Split Second apresenta gráficos bem trabalhados, e o jogador chega a prender a respiração quando se depara com uma torre de controle de aeroporto caindo exatamente à frente do seu carro, e ser acertado por essas toneladas de concreto transformam seu carro num empilhado de metal retorcido com detalhes bem interessantes, dado o trabalho que a Black Rock teve com sua parte gráfica. Claro, seria melhor se tivéssemos carros licenciados para correr, mas dificilmente as fabricantes iriam querer ver seus nomes juntos à um jogo que promove a destruição de uma cidade inteira!

VAI BATÊÊÊÊÊÊÊÊÊ!!!

Em resumo, Split Second é uma excelente opção para os que curtem corrida, destruição, ou corrida e destruição juntos. Ao colocar o cenário como potencial perigo para os corredores, a Black Rock inovou num pouco espaço que tinha dentro do gênero de corrida, e obrigou os jogadores a prestar atenção não só em quem estava à frente, mas também em quem vem logo atrás, pois é a presença de um carro a frente que te permite ativar os power plays (e esse carro pode ser você). A jogabilidade é fluida e o controle dos carros corresponde bem aos seus atributos (alguns carros são mais rápidos e com melhor drift, e outros são mais pesados e resistentes à impactos). E mesmo quando o modo carreira termina, o modo multiplayer garante uma sobrevida ao jogo. Se você está procurando por um game de corrida em alternativa à simulação real, ou às batalhas automobilíscas já bem fundamentadas nos consoles, Split Second é a sua pedida.